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  • Professor de jiu-jitsu, educador social e inspiração para a juventude, Robson Xavier usa o tatame como sala de aula e constrói um legado de cidadania e esporte na Massagueira

    Ao Sport News Radio, o professor falou sobre sua missão, os desafios da comunidade e o sonho de um espaço mais estruturado para acolher ainda mais jovens. Créditos: Fernando Antônio Ele não veste capa de super-herói. Usa kimono. E há quase uma década, Robson Xavier comanda um projeto social que ensina jiu-jitsu na Massagueira. Mais do que golpes e técnicas de chão, ele forma caráter, disciplina e sonhos. Na Massagueira, o jiu-jitsu se tornou rota de escape e de transformação. A realidade aqui é dura. Mas a garotada tem energia, tem vontade. No tatame, eles aprendem respeito, disciplina e superação. O esporte segura muita gente longe do erro, afirma o professor, que já viu alunos virarem campeões e outros se reencontrarem como cidadãos. Mesmo com tantos frutos colhidos, Robson Xavier sonha mais alto: quer uma sede mais estruturada para o projeto. Um espaço melhor, onde o jiu-jitsu possa alcançar ainda mais vidas. A gente precisa de apoio. De parceiros que entendam que investir no esporte é investir no futuro da comunidade. Com estrutura, dá pra fazer muito mais,conclui o professor.

  • CSA recebe o Vasco no Rei Pelé: arquibancada fervendo, bola rolando e sonho vivo na Copa do Brasil

    Azulão do Mutange encara o Gigante da Colina em Maceió e aposta na força do estádio lotado para largar na frente no confronto decisivo. Confira a reportagem especial do jornalista esportivo Fernando Antônio. Jogadores do CSA, usando uniforme azul e branco, se reúnem em círculo no gramado antes do início da partida, com o estádio lotado ao fundo e a torcida azulina em clima de apoio e expectativa. - Foto: Allan Max/CSA É noite de Rei Pelé cheio. É noite de Copa do Brasil. É noite em que Maceió vira o centro das atenções. O CSA recebe o Vasco nesta quarta-feira (30), pelo jogo de ida das oitavas de final, e a cidade já vive o clima de decisão. A equipe comandada por Higo Magalhães chega embalada pela classificação dramática sobre o Grêmio e quer repetir a receita: intensidade, apoio da torcida e nervos no lugar. “O Rei Pelé é nosso caldeirão. Vamos fazer valer o mando com inteligência e coração”, disse o técnico em coletiva. A torcida azulina promete comparecer em peso. Ingressos esgotados, bandeiras tremulando e clima de final. Em campo, nomes como Naninho, Guilherme Cachoeira e Tiago Marques são os pilares do ataque, enquanto Camacho comanda a engrenagem do meio-campo. O Vasco vem com elenco estrelado, mas o CSA sabe que mata-mata não tem favorito fixo. Quem manda é o momento. E o Azulão quer escrever mais uma página épica diante da sua gente.

  • CRB na Copa do Brasil: o que Eduardo Barroca prepara para surpreender o Cruzeiro

    Galo da Pajuçara visita o Cruzeiro no Mineirão pelas oitavas de final e tenta levar decisão viva para o Rei Pelé com estratégia firme e cabeça fria. Confira a reportagem especial com jornalista esportivo Fernando Antônio. Treinador do CRB, Eduardo Barroca, conversa com três jogadores, Segóvia, Alemão e Gegê, durante treino no CT Ninho do Galo. - Foto: Francisco Cedrim/CRB Não vai ser no grito. Vai ser na bola. O CRB vai embarcar rumo a Belo Horizonte com os pés no chão e a mente afiada. O duelo contra o Cruzeiro, na quarta-feira (30), pelas oitavas da Copa do Brasil, representa mais do que um desafio técnico: é o teste de maturidade de um time que precisa reencontrar a si mesmo. Sob o comando de Eduardo Barroca, o Galo busca equilíbrio. “Não adianta se atirar ou se retrair demais. Nosso jogo é de inteligência e entrega”, declarou o treinador durante treino no CT Ninho do Galo, em tom firme. O discurso casa com o momento: o CRB vive oscilação na Série B, mas sabe que o mata-mata é outra história. O elenco treinou finalizações, bola parada e jogadas de transição curta. O meia Gegê e os zagueiros Alemão e Segóvia são as apostas para encaixar contra-ataques, enquanto Alemão e Segóvia lideram a retaguarda com a casca de quem já enfrentou batalhas duras, o meia Gegê é líder de assistências. “A gente respeita, mas não teme. O grupo sabe o que representa essa camisa”, disse o meia. A ordem é clara: voltar de BH com o confronto vivo. Um empate é visto como vitória moral. E se pintar uma bola solta, uma jogada trabalhada, o Galo quer morder.

  • Adryan Gabriel, garoto de 15 anos, que já impõe respeito na base

    Zagueiro e volante, Adryan mostra vigor físico, inteligência tática e já está há um mês em São Paulo em busca do seu espaço no futebol nacional Por Fernando Antônio para Sport News Radio Créditos: Fernando Antônio Com a maturidade de quem carrega a responsabilidade desde cedo, Adryan Gabriel, aos 15 anos, já entende que o futebol exige mais do que talento — pede entrega. Natural de Marechal Deodoro, Alagoas, o jovem defensor vive um novo capítulo há um mês em São Paulo, onde veste com orgulho a camisa da base e chama atenção pelo vigor físico e leitura de jogo apurada. Atuando tanto como zagueiro quanto como volante, Adryan se destaca pelo toque refinado na saída de bola e pela capacidade de dar profundidade às jogadas, conectando a defesa ao ataque com naturalidade. Mas é no momento do desarme que ele vira fera: não tem medo do confronto, encara divididas com raça e encara cada lance como se fosse uma final de campeonato. “Eu vim pra cá pra crescer e mostrar que tenho o que é preciso. Não tenho medo do desafio”, diz Adryan, com a calma de quem já entende o peso do sonho. Sem estrelismo e com os pés fincados no chão, Adryan Gabriel representa a nova safra de talentos alagoanos que estão cruzando fronteiras. Em campo, mostra qualidade. Fora dele, carrega a humildade de quem sabe que a caminhada é longa — mas ele já começou a deixá-la marcada com pegadas firmes.

  • Benjamin Santos coleciona títulos na base do Grêmio e vive o auge de sua segunda convocação para a Seleção Brasileira Sub-17

    A trajetória do atacante alagoano de 16 anos que começou no projeto Furacão, em Maceió, e ganhou força graças à coragem de um garoto que deixou a família aos 12 anos para viver um sonho em Porto Alegre Por Fernando Antônio para Sport News Radio Créditos: Staff Image/CBF Nem todo craque nasce com holofotes. Alguns brilham primeiro nas quadras empoeiradas, nos treinos de bairro e nas promessas feitas com o coração. É o caso de Benjamin Santos, 16 anos, atacante cerebral e vitorioso nas categorias de base do Grêmio. Hoje, ele veste com orgulho a camisa da Seleção Brasileira Sub-17 — e já é a segunda vez que carrega o escudo da CBF no peito. A caminhada começou longe do Sul. Foi no Projeto Furacão, em Maceió, sob o comando de Aldo, que Benjamin chamou atenção. Quem conta é o empresário Leandro Chiquinho, peça fundamental na guinada da carreira do garoto: "O Aldo me falou do Benjamin e que ele já tinha um teste agendado no Grêmio. Eu fui com ele. O menino passou. Só que como ele tinha 12 anos, não podia ainda ficar no alojamento do clube. Então ficou numa pensão na frente do CT, sozinho, longe de pai e mãe. Não foi fácil." Aos 14, enfim, veio o alojamento oficial e a estrutura de um clube gigante. Alimentação balanceada, rotina de treinos, acompanhamento psicológico e técnico. A performance decolou. “Foi quando ele realmente evoluiu. Ganhou corpo, disciplina e confiança. E hoje tá aí, de novo, com a camisa da Seleção Brasileira”, completa Leandro. Benjamin é símbolo da resiliência nordestina no futebol. Um garoto que trocou o calor de Maceió pelo frio de Porto Alegre, o aconchego do lar pela rotina dura dos sonhos. Campeão por onde passou na base do Grêmio, tem talento de sobra, mas carrega também uma história que inspira. Se depender da sua entrega e da sua história, Benjamin Santos não vai parar por aqui. O futuro parece já ter convocado esse alagoano de alma valente.

  • Das ondas do Francês ao topo em Ubatuba: Amando Tenório avança no Dream Tour

    Deodorense brilha no litoral paulista, vence bateria e garante vaga no terceiro round da elite do surfe nacional Por Fernando Antônio para Sport News Radio Créditos: Fernando Antônio O mar estava encrespado em Ubatuba, mas quem ditou o ritmo das ondas foi o alagoano Amando Tenório. O surfista da Praia do Francês avançou com autoridade para o 3º round do Dream Tour 2025 após vencer sua bateria contra outros dois competidores, mostrando que talento do Nordeste também quebra em águas do Sudeste. Com manobras bem encaixadas e leitura apurada do swell, Amando mostrou confiança desde o início da bateria. “Eu entrei com foco total. Sabia que era uma disputa difícil, mas me senti bem com a prancha, achei as melhores ondas e consegui fazer o meu surfe”, comentou o atleta logo após sair do mar. Natural de Marechal Deodoro, Amando Tenório vem se destacando nas principais competições do circuito nacional e já é apontado como uma das promessas da nova geração do surfe brasileiro. Agora, ele se prepara para o próximo round com moral elevada e os olhos voltados para voos ainda maiores nas águas de Ubatuba.

  • Futebol feminino em Marechal Deodoro: estrutura tem, mas falta quem lidere os sonhos das meninas

    Com campos, quadras cobertas e investimentos públicos à disposição, cidade histórica precisa agora de técnicos, projetos e lideranças para o futebol feminino sair do papel Por Fernando Antônio para Sport News Radio Créditos: Fernando Antônio A quadra já foi pintada. As traves estão firmes. A estrutura existe — e ela veio com força nos últimos anos, fruto de investimentos da Prefeitura de Marechal Deodoro e do Governo de Alagoas em praças esportivas. Mas ainda assim, o futebol feminino local patina no zero a zero. Falta algo que não se compra com verba: gente disposta a liderar, ensinar e transformar . Educadores físicos apontam que há espaços adequados para treinar, como os ginásios de Taperaguá, Massagueira, Barra Nova, Poeira e Barro Vermelho, mas não há técnicos e líderes especializados em iniciação esportiva para meninas que estejam dispostos a encarar esse desafio. “A gente precisa de treinadores preparados, que entendam as fases do desenvolvimento da atleta, e que acompanhem essas jogadoras do início ao amadurecimento — como cidadãs e como futuras profissionais”, diz uma mãe de jogadora de 13 anos. Com a Copa do Mundo Feminina de 2027 confirmada no Brasil, Marechal Deodoro tem diante de si a chance de ouro para sair do banco de reservas e entrar de vez no jogo da inclusão. Nunca houve momento mais propício: o país inteiro vai respirar futebol feminino, e investir agora na base local é mais do que desenvolvimento — é pertencimento. As meninas deodorenses podem sim sonhar com estádios cheios, camisas oficiais e até seleção, mas pra isso é preciso começar já. A Copa vem aí, e Marechal Deodoro não pode assistir de fora. Enquanto o talento segue pedindo passagem nas ruas e nos pátios das escolas, falta um projeto com começo, meio e continuidade. É preciso formar com inclusão, respeitando as particularidades do feminino e dando protagonismo às meninas. Marechal Deodoro já tem o palco. Agora precisa das líderes pra reger esse jogo.

  • Bia Gomes marca golaço com lambreta e garante o título em final eletrizante

    Com jogada de cinema, atleta brilhou na grande decisão ao limpar a marcação, aplicar uma lambreta e finalizar de bico para dar a vitória ao seu time Por Fernando Antônio para Sport News Radio Créditos: Fernando Antônio Final não é lugar pra amador. E Bia Gomes mostrou que nasceu pra decidir. No jogo mais importante da competição, ela guardou o melhor para o fim: uma pintura de gol que já entra direto na galeria das obras-primas do futebol feminino. Aos olhos do torcedor, foi rápido. Mas, no pé da craque, foi coreografia pensada: driblou a primeira marcador com naturalidade, foi à dividida como quem sabe o que quer e, no instante seguinte, fez mágica. Deu uma lambreta desconcertante, invadiu a área e, com a ponta da chuteira, estufou a rede num chute de bico. Pura arte. E título garantido. Na comemoração, a equipe inteira correu pra ela. Não era pra menos. Bia Gomes decidiu com ousadia, coragem e talento. Um golaço que traduz exatamente o espírito do futebol: liberdade, beleza e decisão. E como disse um torcedor na arquibancada: “Gol assim, nem no videogame”. Créditos: Fernando Antônio A conquista aconteceu na tradicional competição interna do Colégio Madalena Sofia, em Maceió, que mais uma vez brilhou na organização do evento. Com ginásio lotado, estrutura impecável e muita vibração vinda das arquibancadas, a escola mostrou que o esporte é ferramenta de união, inclusão e desenvolvimento. E Bia Gomes, com seu talento, tornou esse dia ainda mais inesquecível. Créditos: Fernando Antônio Beijo, abraço, saúde, fique com Deus e até a próxima...

  • Alisson Gabriel, goleiro de Marechal Deodoro, é contratado pelo 3º Milênio-SP aos 16 anos

    Jovem goleiro alagoano se destacou na MB Soccer e agora vai defender equipe paulista com apenas 16 anos de idade Créditos: Fernando Antônio/Arquivo Pessoal Aos 16 anos, Alisson Gabriel já vive a primeira grande virada da sua carreira. Natural de Marechal Deodoro, o jovem goleiro deve ser anunciado como novo reforço do 3º Milênio, de São Paulo. Com 1,82m de altura, postura madura e mãos seguras, ele chamou atenção da comissão técnica após se destacar na academia MB Soccer, onde desenvolveu seus atributos: agilidade nos reflexos e qualidade na reposição de bola com os pés. A trajetória de Alisson começou nos campos alagoanos, onde enfrentou gramados duros e desafios ainda maiores. Mesmo tão novo, mostrou personalidade de veterano debaixo das traves. Destro, frio em momentos decisivos e dono de uma leitura de jogo apurada, ele rapidamente virou destaque nas competições de base. Agora, vai vestir a camisa do time paulista buscando se consolidar como uma das promessas da posição no cenário nacional. “É um sonho sendo vivido com os pés no chão e os olhos no futuro”, disse o goleiro ao portal. A transição para São Paulo marca o início de uma nova fase: mais competitiva, mais intensa, mais exigente — do jeito que ele gosta. Enquanto a torcida alagoana vibra de longe, o nome de Alisson Gabriel começa a ecoar por novos gramados. E como todo bom goleiro... ele já está sendo preparado para agarrar essa chance.

  • CRB sai na frente, mas Operário reage e jogo termina empatado com duas expulsões na Série B

    Galo marca com Thiaguinho no primeiro minuto, leva empate de Índio e protagoniza duelo tenso no Germano Krüger pela 17ª rodada. Foto: André Jonsson/OFEC Na terra onde o frio costuma ser o dono do jogo, foi o calor dos nervos que incendiou Germano Krüger na noite desta quinta-feira. Operário e CRB escreveram um capítulo de tensão, velocidade e expulsões na abertura da 17ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. O placar de 1 a 1 refletiu um duelo onde o futebol teve lampejos, mas a indisciplina também teve destaque. O CRB, que ainda busca consistência em 2025, resolveu agir como visitante ousado: logo com um minuto de jogo , Thiaguinho fez valer seu faro e estufou a rede. O Galo voava, e o Fantasma parecia atordoado. “A ideia era pressionar desde o início e conseguimos o gol rápido”, comentou o técnico do CRB, Eduardo Barroca, na coletiva. Mas o futebol não costuma permitir descanso. Aos 29 minutos, Índio apareceu como quem conhece os atalhos do campo e colocou tudo igual. O empate reacendeu o Operário e diminuiu a vantagem mental do time alagoano, que voltou para a segunda etapa precisando mais do que coragem — precisava de controle. Só que o segundo tempo trocou os passes pela tensão. Num ritmo mais truncado do que criativo, as jogadas deram lugar às entradas ríspidas e aos cartões vermelhos. Primeiro, o zagueiro do CRB, Fábio Alemão e depois, Ademílson do Operário. Com o 1 a 1, o CRB chega aos 22 pontos  e ocupa o 10º lugar , mas com risco de queda de duas posições a depender dos jogos do fim de semana. "Empate não foi ruim pela forma como foi o jogo." disse o técnico Eduardo Barroca, com semblante de quem sabe que a Série B não perdoa quem vacila. Enquanto isso, o CRB continua na sua montanha-russa: um time que mostra lampejos de bom futebol, mas ainda não consegue embalar. No Germano Krüger, ficou claro que o Galo sabe começar. Mas também precisa aprender a terminar.

  • Tcharlie, o tempero raro: da saudade do CIA ao novo banquete da Desportiva Deodorense

    Meia ambidestro e sorridente, cria do extinto Desportivo CIA das Bebidas, agora apimenta o time recheado da Desportiva Deodorense Por Fernando Antônio para Sport News Radio No vasto cardápio da várzea de Marechal Deodoro, faltava aquele toque especial. E ele tem nome, apelido e futebol: Tcharlie, cria do inesquecível Desportivo CIA das Bebidas, é agora o ingrediente que faltava na receita da Desportiva Deodorense. Não é exagero. O moleque junta graça e veneno no mesmo drible, atacando pelos dois lados com chute forte e sorriso fácil. “O CIA foi meu começo, ali eu jogava solto. Agora é outro desafio, com mais cobrança, mas com o mesmo prazer”, diz Tcharlie, que chega como reforço de impacto no elenco mais falado da cidade. Seu jeito leve em campo lembra pelada de infância, mas com responsabilidade de camisa pesada. Ele trata a bola como quem conversa com um velho amigo — com respeito, mas sem cerimônia. Na Desportiva, ele encontra estrutura e um projeto vencedor. Mas é a espontaneidade do seu futebol que muda o ritmo do time. “Quero somar com meu jeito. Não sou estrela, sou parte de um grupo que quer fazer história na várzea”, afirma, sem ensaios. Tcharlie dribla como quem foge da rotina — e talvez seja por isso que o futebol dele pareça tão novo, mesmo nos campos de sempre. O extinto CIA das Bebidas deixou saudade, e parte dessa saudade tem nome e chute ambidestro. Agora, ele reencarna o brilho de outrora em nova camisa. Na várzea, onde o campo é chão e palco ao mesmo tempo, alguns jogadores não passam. Eles ficam. E fazem falta quando não estão. Tcharlie fazendo gol de falta pelo CIA na Desportiva Deodorense em pleno jogo eliminatório Tcharlie voltou — ou melhor, seguiu. E agora tempera a Desportiva Deodorense com o sabor raro de quem joga feliz.

  • Ratinho, o artilheiro emblemático do Matrix: um sábado, uma bola e a eternidade em Marechal Deodoro

    Entre canaviais e amizades, Anderson Santos, conhecido como Ratinho, escreveu seu nome na várzea como se fosse um poema de gol. Por Fernando Antônio para Sport News Radio Créditos: Fernando Antônio Todo sábado ele aparece. Camisa do Matrix colada no peito, meias puxadas abaixo do joelho, uma joelheira na perna direita - que é a boa - e o olhar de quem já sabe o que vai fazer: gols. No silêncio cortado pelos grilos, sapos e cobras, além dos carros e motos que passam em direção à usina, Anderson Santos, mais conhecido como Ratinho, se movimenta: seja na zaga ou no ataque, com a precisão de quem conhece cada pedaço daquele campo isolado, quase esquecido no mapa, mas eternizado no coração de Marechal Deodoro. Ele nunca teve empresário, não estampou manchete em jornal grande, nem viralizou em rede social. Ratinho não tem mídia, mas tem lembrança. Não coleciona likes, mas empilha gols na memória de quem viu. E talvez seja isso que o torne ainda mais genuíno: um craque forjado no anonimato, reverenciado na beira do campo, onde a grama falha, mas o respeito é pleno. Porque na várzea, a idolatria não depende de holofote mas sim de entrega. E isso ele sempre teve de sobra. Dizem que rato só aparece quando ninguém tá vendo. Ratinho, não. Ele aparece quando todos estão olhando - no passe apertado, no rebote perdido, na bola espirrada. E aparece pra decidir. Tem faro. Tem instinto. Tem gol. Foi assim que ele se notabilizou: não pelo tamanho, mas pela astúcia e excepcional capacidade técnica. Como se fosse um personagem saído de um conto do futebol nordestino, Ratinho foi o maior artilheiro do Matrix FC em anos consecutivos, cravando seu nome na história da várzea. "Tem gente que sonha em jogar na Europa. Eu também sonhei, mas Deus me permitiu ficar por aqui e jogar todo sábado. E joguei. Mais de 20 anos com essa camisa amarela aqui." disse Ratinho. O Matrix, fundado em 11 de abril de 2001, é mais que um time. É confraria, é churrasco depois do jogo, é desculpa boa pra fugir da rotina. Um campo no caminho da cana-de-açúcar, onde alguns dizem que vão só “dar uma corrida”, mas saem com troféu, medalha e história. Ali, Ratinho virou símbolo de um tempo em que o futebol era encontro, era lealdade, era barulho de chuteira no chão batido e risada no vestiário improvisado. "Os gols que fiz não tão só no placar, não. Eles tão nos gritos, na cerveja que a galera abre depois do jogo. Cada gol meu tem história." afirmou Ratinho Num mundo onde os craques se escondem nos algoritmos, Marechal Deodoro guarda o seu nas manhãs de sábado, com o mato ao redor e o povo por perto. Ratinho é mais que artilheiro. É memória viva do futebol que a gente nunca deve esquecer.

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