Ratinho, o artilheiro emblemático do Matrix: um sábado, uma bola e a eternidade em Marechal Deodoro
- Fernando Antônio

- 15 de jul.
- 2 min de leitura
Entre canaviais e amizades, Anderson Santos, conhecido como Ratinho, escreveu seu nome na várzea como se fosse um poema de gol.
Por Fernando Antônio para Sport News Radio

Todo sábado ele aparece. Camisa do Matrix colada no peito, meias puxadas abaixo do joelho, uma joelheira na perna direita - que é a boa - e o olhar de quem já sabe o que vai fazer: gols.
No silêncio cortado pelos grilos, sapos e cobras, além dos carros e motos que passam em direção à usina, Anderson Santos, mais conhecido como Ratinho, se movimenta: seja na zaga ou no ataque, com a precisão de quem conhece cada pedaço daquele campo isolado, quase esquecido no mapa, mas eternizado no coração de Marechal Deodoro.
Ele nunca teve empresário, não estampou manchete em jornal grande, nem viralizou em rede social. Ratinho não tem mídia, mas tem lembrança. Não coleciona likes, mas empilha gols na memória de quem viu. E talvez seja isso que o torne ainda mais genuíno: um craque forjado no anonimato, reverenciado na beira do campo, onde a grama falha, mas o respeito é pleno. Porque na várzea, a idolatria não depende de holofote mas sim de entrega. E isso ele sempre teve de sobra.
Dizem que rato só aparece quando ninguém tá vendo. Ratinho, não. Ele aparece quando todos estão olhando - no passe apertado, no rebote perdido, na bola espirrada. E aparece pra decidir. Tem faro. Tem instinto. Tem gol. Foi assim que ele se notabilizou: não pelo tamanho, mas pela astúcia e excepcional capacidade técnica. Como se fosse um personagem saído de um conto do futebol nordestino, Ratinho foi o maior artilheiro do Matrix FC em anos consecutivos, cravando seu nome na história da várzea.
"Tem gente que sonha em jogar na Europa. Eu também sonhei, mas Deus me permitiu ficar por aqui e jogar todo sábado. E joguei. Mais de 20 anos com essa camisa amarela aqui." disse Ratinho.
O Matrix, fundado em 11 de abril de 2001, é mais que um time. É confraria, é churrasco depois do jogo, é desculpa boa pra fugir da rotina. Um campo no caminho da cana-de-açúcar, onde alguns dizem que vão só “dar uma corrida”, mas saem com troféu, medalha e história. Ali, Ratinho virou símbolo de um tempo em que o futebol era encontro, era lealdade, era barulho de chuteira no chão batido e risada no vestiário improvisado.
"Os gols que fiz não tão só no placar, não. Eles tão nos gritos, na cerveja que a galera abre depois do jogo. Cada gol meu tem história." afirmou Ratinho
Num mundo onde os craques se escondem nos algoritmos, Marechal Deodoro guarda o seu nas manhãs de sábado, com o mato ao redor e o povo por perto. Ratinho é mais que artilheiro. É memória viva do futebol que a gente nunca deve esquecer.




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