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Jogo da Sofia: a história por trás do lendário CRB que atravessou gerações

Conheça a história do Jogo da Sofia, a sonora goleada de 6 a 0 do CRB sobre o CSA. Descubra a origem do nome, e viaje no tempo desde a fundação do Galo em 1912.


Por Fernando Antônio | Sport News Radio - O site do ESPORTE


Alt text:  Infográfico histórico sobre o Clube de Regatas Brasil (CRB), com destaque para o clássico “Jogo da Sofia”. No centro, o placar de CRB 6 x 0 CSA, em 1º de outubro de 1939, ilustrado por jogadores comemorando. Ao redor, há quadros que mostram a fundação do clube em 1912, sua origem ligada ao remo na Pajuçara, o idealizador Lafaiete Pacheco, o antigo Estádio Severiano Gomes Filho, a explicação da origem do apelido “Sofia”, a história do tetracampeonato perdido em 1940 por causa da chuva, a evolução do CT Ninho do Galo e a galeria de atletas revelados internacionalmente, como Roberto Firmino, Pepe e Luiz Gustavo. A arte utiliza as cores vermelho e branco, escudo do CRB e ilustrações em estilo retrô.

O Clube de Regatas Brasil (CRB) é feito de místicas que desafiam o tempo. Mas nenhuma história guardada na memória do torcedor regatiano é tão folclórica, provocativa e eterna quanto o lendário Jogo da Sofia. O que era para ser apenas mais um Clássico das Multidões em 1939 transformou-se em uma goleada por 6 a 0 que ecoa até os dias de hoje.

Conheça a jornada completa do Galo da Pajuçara: desde a sua fundação voltada ao mar, em 1912, até o surgimento do maior pesadelo do rival azulino.


20 de Setembro de 1912: O nascimento do CRB e o "futebol de rua" na Pajuçara


A história do CRB não começou nos gramados, mas sim nas águas de Maceió. Fundado em 20 de setembro de 1912 na histórica Rua Jasmim, no bairro da Pajuçara, o clube nasceu com o propósito de fortalecer a prática do remo. Sob a liderança de Lafaiete Pacheco e um grupo de dissidentes do Clube Alagoano de Regatas, o objetivo era um só: criar uma instituição competitiva no mar.


No entanto, o destino tinha planos traçados com a bola nos pés. Enquanto esperavam a hora dos treinos de remo, os atletas improvisavam partidas de futebol na rua. A brincadeira rapidamente virou paixão organizada em 1916, graças aos esforços dos irmãos Gondim.


O terror das vidraças: Segundo os relatos do lendário jornalista Lauthenay Perdigão, o CRB jogava nas ruas da Pajuçara e quebrava tantas vidraças da vizinhança que o clube se viu obrigado a buscar uma casa definitiva.


Em 1917, o Galo arrendou o terreno que se tornaria o místico Estádio Severiano Gomes Filho — o eterno Estádio da Pajuçara.


O Clube do Povo e a identidade afro-alagoana


Ao contrário do mito de que o CRB nasceu como um clube elitista, o historiador Golbery Lessa aponta que a alma do clube sempre foi popular. Localizado estrategicamente próximo à Ponta da Terra, o Estádio da Pajuçara pulsava com a energia de operários, pescadores e uma forte influência da cultura afro-alagoana. Essa mistura de raças e classes moldou o caráter guerreiro da torcida regatiana.


O Jogo da Sofia: O dia em que o CRB aplicou 6 a 0 no CSA


A década de 1920 transformou a Pajuçara no templo do futebol alagoano. O estádio ganhou arquibancadas e recebeu o primeiro jogo interestadual contra o Flamengo do Recife. Mas foi no dia 1º de outubro de 1939 que o local testemunharia o seu maior milagre esportivo.


O Campeonato Alagoano daquele ano estava acirrado. O CRB precisava da vitória contra o maior rival, o CSA, para seguir firme rumo ao tricampeonato estadual. O que se viu em campo, contudo, foi um monólogo vermelho e branco.


Com uma exibição impecável e avassaladora, o CRB aplicou uma goleada histórica de 6 a 0 sobre o CSA. Embora a diretoria e os torcedores azulinos tenham reclamado da arbitragem de Artur Reis (que ironicamente era ex-jogador do CSA), as crônicas esportivas da época foram unânimes: a superioridade técnica do Galo foi incontestável.


Afinal, quem era a Sofia?


Muitos torcedores novos se perguntam o motivo desse nome. A explicação é pura essência do futebol raiz e envolve o centroavante Arlindo, um dos heróis daquela tarde.


Fora das quatro linhas, Arlindo era dono de uma cabra de estimação chamada Sofia. O jogador costumava cantar uma música popular inspirada no jogo do bicho e, sempre que a letra chegava ao número seis, ele fazia uma menção ao animal.


Quando as redes do CSA balançaram pela sexta vez na partida, a torcida regatiana não perdoou: associou o placar imediatamente à música do atacante. O grito de "Sofia!" tomou as arquibancadas e se transformou em uma das maiores provocações do futebol brasileiro, eternizada por Lauthenay Perdigão no livro Histórias do Futebol Alagoano – Arquivos Implacáveis.


O dia em que a chuva e o vento levaram a vitória do rival


Se o ano de 1939 foi o da Sofia, 1940 reservou um dos finais de campeonato mais cinematográficos do Nordeste.


Na finalíssima do Campeonato Alagoano de 1940, disputada em uma melhor de três jogos, o CSA vencia a partida decisiva por 2 a 0 no Mutange. Foi quando o céu desabou. Uma tempestade torrencial alagou o gramado. Valente, o CRB buscou o empate por 2 a 2. Sem condições de jogo, o árbitro pernambucano interrompeu o confronto aos 25 minutos do segundo tempo.


Uma semana depois, uma cena bizarra e histórica: os mesmos times voltaram a campo para jogar os 20 minutos restantes. Logo no primeiro minuto da retomada, o CRB marcou o gol da virada e garantiu o tetracampeonato estadual.


A torcida regatiana tomou as ruas de Maceió cantando uma paródia do filme vencedor do Oscar daquele ano, "...E o Vento Levou": "Não faltava mais nada para o CSA ganhar; tinha campo e torcida e um time de abafar. Mas a chuva chegou e a vitória do Centro o vento levou!"


Da despedida da Pajuçara à modernidade do CT Ninho do Galo


Os anos passaram e, com a inauguração do Estádio Rei Pelé, a velha Pajuçara foi perdendo espaço, virando palco apenas de treinos e categorias de base, até ser vendida. Embora o adeus tenha sido doloroso para os nostálgicos, a transição foi o combustível financeiro que o clube precisava para o futuro.


Hoje, o orgulho estrutural do clube atende pelo nome de CT Ninho do Galo. Considerado um dos centros de treinamento mais modernos da Região Nordeste, o espaço simboliza a profissionalização e a evolução do CRB no cenário nacional.


Uma fábrica de lendas e ídolos internacionais

A história centenária do CRB é pavimentada por craques inesquecíveis. Pelos gramados alagoanos, desfilaram ídolos como:


  • Haroldo Zagallo (pai do lendário Velho Lobo Mário Jorge Lobo Zagallo)

  • Silva, Joãozinho Paulista (maior artilheiro da história do clube)

  • Aloísio Chulapa, Jadilson e Marquinhos Paraná.


Além disso, a tradição do Galo cruzou fronteiras mundiais. O atacante Roberto Firmino, campeão da Champions League e do mundial de clubes pelo Liverpool. O zagueiro Pepe (Képler Ferreira), multicampeão pelo Real Madrid e pela Seleção Portuguesa, foi revelado na base do CRB. O volante Luiz Gustavo, que disputou a Copa do Mundo de 2014 pela Seleção Brasileira, também teve passagem marcante pelo clube antes de brilhar na Europa.


Perguntas frequentes sobre a história do CRB


Quando foi fundado o CRB? O Clube de Regatas Brasil (CRB) foi fundado no dia 20 de setembro de 1912, em Maceió, Alagoas.


O que foi o Jogo da Sofia? Foi uma histórica partida de futebol realizada em 1º de outubro de 1939, na qual o CRB goleou o seu maior rival, o CSA, pelo placar de 6 a 0 no Campeonato Alagoano.


Por que o clássico CRB x CSA de 1939 se chama Jogo da Sofia? O nome faz referência à cabra de estimação do centroavante Arlindo, do CRB. O jogador cantava uma música que ligava o número seis ao animal, e a torcida adotou o nome para provocar o rival após o sexto gol.


Quem é o maior artilheiro da história do CRB? O maior artilheiro da história do CRB é o atacante Joãozinho Paulista, com 160 gols marcados com a camisa do Galo.


Beijo, abraço, saúde, fique com Deus e até a próxima…

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