Bruno Guimarães deixa de ser figurante para ser protagonista: o volante que decidiu como Crystopher

Na mesma pegada dos volantes modernos que não se contentam apenas em marcar, Bruno Guimarães deu na manhã desta terça-feira (29), no Suncorp Stadium, em Brisbane, a resposta que a Seleção Brasileira esperava dele. Com a camisa 8, a mesma que Crystopher veste no CRB, ele marcou o lindo terceiro gol da vitória por 4 a 2 sobre a Austrália e saiu do papel de coadjuvante para o de protagonista.
Foi o gol da virada definitiva. Depois de um primeiro tempo de sustos, com o Brasil abrindo o placar com Vanderson aos 2', sofrendo a virada com Circati aos 29' e Metcalfe aos 33', e empatando com Raphinha de pênalti aos 44', coube a Bruno decidir no segundo tempo.
Aos 24' da etapa final, em jogada iniciada por Danilo, Vinicius Júnior arrancou pela esquerda e encontrou Endrick dentro da área. O jovem atacante deu passe preciso para o meio, e Bruno Guimarães, como elemento surpresa, completou para o fundo das redes: Brasil 3 a 2. Vini Jr, de pênalti aos 34', fechou o 4 a 2.

O paralelo com Crystopher: volante não é só contenção
É exatamente aqui que a história se conecta com Maceió. No último domingo (27), no Rei Pelé, Crystopher foi o grande nome do CRB na goleada por 3 a 0 sobre o Cuiabá pela Série B: marcou um golaço de fora da área e deu assistência para Geovane fechar o placar.
Assim como Crystopher, que soma 7 gols e 7 assistências em 43 jogos na temporada e vive sua melhor fase em participações diretas, Bruno Guimarães mostrou que volante moderno tem de pisar na área, aparecer como homem surpresa e transformar regularidade em números.
No CRB, Crystopher deixou de ser apenas o "cão de guarda" para ser o maestro: deu o passe para Hereda no primeiro gol de Danielzinho aos 5', fez o segundo aos 4' do segundo tempo e serviu Geovane aos 30'. Na Seleção, Bruno fez o mesmo movimento: era o equilíbrio ao lado de Danilo, mas foi o definidor.

De figurante a líder de Ancelotti
Não é por acaso que a análise pós-jogo colocou Bruno como "deu aula". Entre os remanescentes da Copa do Mundo chamados nesta Data Fifa, ele é "de longe o de maior contribuição".
Carlo Ancelotti mexeu em sete peças em relação ao 1 a 1 do primeiro amistoso, reforçou o meio e tirou os quatro atacantes. O resultado foi um Brasil mais móvel, e Bruno foi o símbolo disso: cobriu, distribuiu e, quando precisou, foi atacante.
O gol em Brisbane, celebrado com as mãos na cabeça e depois no abraço com os companheiros como mostram as fotos exclusivas desta reportagem, é o retrato da libertação. Assim como Crystopher precisou deixar de ser figurante no meio-campo do Galo para assumir a vice-artilharia do time no ano, Bruno precisa deixar de ser apenas o "volante de segurança" da Seleção para ser o protagonista do novo ciclo rumo à próxima Copa.
Volante que faz gol bonito, que decide jogo grande, não é luxo. É necessidade. E tanto no Rei Pelé quanto em Brisbane, a lição foi a mesma.




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