Skate resiste, insiste e pede passagem em Marechal Deodoro
- Fernando Antônio

- há 6 dias
- 2 min de leitura
Entre o asfalto quente, o corrimão gasto e a criatividade que não pede licença, o skate deodorense segue vivo — e quer mais.

Em Marechal Deodoro, o skate não é moda. É teimosia boa. É cultura urbana na veia, batendo de frente com os limites do espaço. Enquanto a cidade respira história colonial, a juventude escreve o presente sobre quatro rodinhas, ocupando ruas, praças e qualquer canto que aceite um ollie bem dado. O skate vive. Sobrevive. E segue em movimento.
Sem pista exclusiva, os skatistas improvisam. Bancos viram obstáculos, escadas ganham nova função e o chão irregular testa o equilíbrio — físico e mental. Falta espaço, sobra talento. A cena é pequena em número, mas gigante em atitude. Não tem estrelismo. Tem parceria. Um segura a mochila do outro, outro filma a sessão, todo mundo comemora quando a manobra encaixa limpa.
O skate, hoje esporte olímpico, ainda carrega o espírito de rua. Onde alguns veem bagunça, há foco. Onde veem barulho, existe linguagem própria. Cada manobra é treino, queda é aprendizado, insistência é regra. O skate ensina disciplina sem apito e respeito sem discurso.
Quem vive isso na pele sabe. O skatista Lucas Honorato, um dos nomes ativos da cena deodorense, resume com simplicidade e verdade:
“Pra gente, o skate é mais que esporte. É encontro, é amizade, é liberdade. A gente não quer atrapalhar ninguém, só quer um lugar pra andar tranquilo e evoluir. Quando um acerta a manobra, todo mundo ganha junto.”
Há prós e contras, como manda o bom jornalismo. A ocupação de espaços urbanos gera debates? Sim. Mas o skate também gera pertencimento, afasta a ociosidade e constrói identidade. Organizar a convivência é sempre melhor do que criar barreiras invisíveis.
Marechal Deodoro tem jovens, tem energia, tem criatividade pulsando no asfalto. O skate pede o básico: espaço para fluir e respeito para existir. Enquanto isso não chega, eles seguem fazendo o que sempre fizeram: deslizando contra a maré, caindo, levantando e indo de novo.
Porque no skate — e na vida — quem para, cai.




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