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Por que o futebol brasileiro paga caro por jogadores comuns?

O futebol brasileiro vive um paradoxo que salta aos olhos — e ao bolso dos clubes: nunca se pagou tanto por jogadores tão comuns. O mercado está inflacionado. E não é discurso de arquibancada. É bastidor, é conta fechada, é realidade de Série A à Série D.


Por Fernando Antônio para Sport News Radio - O site do ESPORTE


Neymar aparece sério, usando cabelo moicano e brinco, em retrato de close durante evento esportivo.
Crédito: Friedemann Vogel

Hoje, o jogador “bom” — aquele correto, disciplinado, fisicamente inteiro — virou artigo de luxo. Não porque sobrou talento, mas porque faltou qualidade técnica refinada.


Falta o diferenciado. Sobra o funcional.


O camisa 9 clássico desapareceu. O ponta de explosão, drible curto e coragem virou raridade. O famoso “beirada” que decide no um contra um quase não existe mais.


O mercado trabalha com o que tem: atletas fortes, rápidos, taticamente obedientes, técnica aceitável. Nada além disso. E quando todo mundo quer o mesmo perfil, o preço dispara.


Todo mundo procura, poucos entregam


Hoje, clubes de todas as divisões disputam os mesmos nomes. O jogador comum virou solução imediata. Resolve o problema do treinador, tapa buraco, cumpre função. E isso custa caro. A lógica é simples e cruel: quem tem segura, quem quer paga mais.


Estaduais curtos, contratos inflados


O novo formato dos estaduais acelerou a inflação. Calendário curto exige compensação financeira. O clube oferece mais porque o risco é maior.


R$ 30 mil por mês parece ótimo — até o estadual acabar em um mês e meio. Na matemática fria, o atleta muitas vezes perde dinheiro no ano, mas o mercado já inflacionou. O salário cresce, o critério encolhe.


A raiz do problema: ausência de qualidade


A inflação nasce da escassez:

  • faltam zagueiros rodados,

  • faltam centroavantes confiáveis,

  • faltam jogadores técnicos prontos.


Quando surge alguém um pouco acima da média, o valor foge do controle. Clube estoura teto, faz pacote, empurra orçamento. Um puxa o outro. O mercado vira dominó.


O dinheiro vem de cima


Arábia Saudita pagando cifras irreais. Europa inflacionando atletas comuns. Negociações fora da curva viram referência. Esse dinheiro escorre. Distorce. Contamina. Aqui, o jogador mediano vira “peça rara”. Não porque é craque — mas porque não tem outro.


Futebol virou empresa — e isso é fato


O futebol cresceu, profissionalizou, virou indústria. Isso não é ruim. O problema é quando o físico vale mais que a inteligência do jogo. Hoje, corre mais quem ganha mais. Pensa menos quem custa mais.


O resumo é direto


O mercado inflacionou porque:

  • falta talento refinado,

  • o calendário é curto,

  • a disputa é generalizada,

  • o dinheiro circula rápido,

  • a urgência manda.


No futebol atual, ser comum custa caro. Ser diferente… virou exceção.

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