
Juninho no campo, Ednaldo no BID: a volta por cima de quem recusou o rótulo de promessa perdida
- Fernando Antônio

- há 17 horas
- 3 min de leitura
Da base badalada à cirurgia no joelho, meia alagoano renasce no futebol e mira nova chance no cenário profissional
Por Fernando Antônio para Sport News Radio - O site do ESPORTE

Tem história que não pede licença — ela entra rasgando, como carrinho bem dado na dividida. A de Ednaldo Leandro dos Santos Júnior, o “Juninho” da resenha e Ednaldo no BID, é dessas.
Sem glamour, sem tapinha nas costas. É suor, pausa forçada e recomeço. “Fala, Fernando, beleza? Sobre a nossa trajetória no futebol… a gente começou muito bem na base”, diz o jogador, com a sinceridade de quem viveu o jogo longe dos holofotes. E começou mesmo.
Base forte e portas abertas
Juninho não foi só mais um. Na base, o futebol dele fez barulho — e dos bons. Despertou interesse de clubes grandes e acumulou experiências que moldam qualquer atleta.
Passagens por Atlético Mineiro, América Mineiro e Ceará não aparecem por acaso. É lastro. É currículo.
Foram dois anos no Galo, depois sequência no Vila Nova, sempre com desempenho consistente. Nada de estrela vazia: entrega dentro de campo.
CRB, sequência e o golpe mais duro
O destino levou Juninho ao CRB, onde teve duas passagens. Atuou no sub-20, buscou espaço, seguiu o roteiro clássico de quem quer subir degrau por degrau.
Mas o futebol também cobra. Veio a lesão no joelho — ligamento cruzado anterior (LCA).
E não foi em qualquer momento. Foi em plena pandemia. Aqui, meu amigo, o jogo muda. Cirurgia difícil de marcar, recuperação lenta, cabeça a mil. O corpo para, a dúvida acelera. “Foi muito difícil… machuquei o joelho em tempo de pandemia”, relembra.
A pausa que testa qualquer carreira
Três anos. Esse foi o tempo entre o problema e a cirurgia. No futebol moderno, isso é quase uma eternidade. É aqui que muita carreira acaba antes mesmo de começar. E vamos ser justos: o sistema não costuma esperar.
Prós da base forte:
Formação técnica sólida
Visibilidade nacional
Portas abertas no início
Contras da lesão longa:
Perda de ritmo
Esquecimento no mercado
Impacto psicológico pesado
Juninho sentiu tudo isso na pele.
O retorno: da várzea à nova chance
Sem clube, sem sequência, ele fez o que muitos evitam, mas poucos admitem: voltou à várzea. E aqui vai uma verdade nua e crua: o futebol raiz ainda salva carreiras.
Foi nesse ambiente, longe do marketing e perto da essência, que ele reconstruiu o corpo e a confiança.
Com apoio fundamental do Ultra Galeguinho e de pessoas próximas — “um pilar na minha vida”, como ele define — o meia começou a reescrever a própria história.
Paraná no horizonte e o recomeço profissional
A insistência abriu caminho. Juninho voltou ao cenário profissional com uma oportunidade no estado do Paraná, integrando um projeto que aposta em recomeços — e isso diz muito sobre o futebol fora do eixo.
Ali, ele tenta recuperar o tempo perdido e mostrar que ainda há lenha pra queimar. “Agora é trabalhar firme… tem muita coisa boa pra acontecer”, afirma.
Visão de jogo: promessa ou persistência?
O futebol brasileiro sempre vive esse dilema:
Vale mais o talento precoce?
Ou a capacidade de resistir quando tudo desanda?
Juninho talvez não tenha seguido o roteiro idealizado. Mas construiu algo mais raro: resiliência competitiva. E isso, no futebol de hoje, vale ouro.
Conclusão: a bola ainda vai rolar
A história de Ednaldo, o Juninho, não é sobre auge — é sobre sobrevivência no esporte mais impiedoso do país.




Comentários