
De questionado a decisivo: o que mudou no rendimento de David Braw em 2026
- Fernando Antônio

- 17 de jan.
- 2 min de leitura
Camisa 16 do CRB, meia de origem, marca seu primeiro gol como profissional com a camisa regatiana na vitória por 3 a 2 sobre o Murici, no Rei Pelé, e ganha novo fôlego na temporada.

O futebol é um tribunal implacável. Num dia, o réu. No outro, o herói. David Braw conhece bem esse roteiro. Meia revelado na base, o camisa 16 do CRB vinha sendo alvo de desconfiança de parte da torcida, mas escreveu um capítulo importante ao marcar seu primeiro gol como profissional vestindo o manto regatiano na vitória por 3 a 2 sobre o Murici, no Estádio Rei Pelé.
Importante frisar: não foi o primeiro gol da carreira profissional. David já havia balançado as redes por Botafogo-SP, na Copa Paulista, e também pelo São Caetano. O que torna o momento especial é o peso simbólico: foi o primeiro com a camisa do CRB, no clube que o revelou e onde a cobrança sempre é maior.
Meia de origem, organizador e não centroavante, Braw nunca foi um jogador de muitos gols, mas sempre foi de participação, entrega e leitura de jogo. Desde as passagens com Marcelo Cabo e Humberto Louzer, quando teve sequência, mostrou personalidade, boa ocupação de espaços e capacidade de ajudar na construção, mesmo quando a bola insistia em não entrar.
A crítica, muitas vezes, foi dura demais. Faltou o gol, faltou o passe final, mas nunca sobrou desorganização, erro fatal ou derrota nas costas do garoto. Em nenhum momento David entrou em campo para comprometer, para “entregar” jogo ou desestabilizar o time. Pelo contrário: mesmo nos momentos ruins coletivos, manteve postura, disciplina tática e coragem para pedir a bola.
Contra o Murici, em um jogo tecnicamente fraco do CRB, muito bem travado pelo método defensivo do adversário, o meia apareceu como válvula de escape. Chamou a responsabilidade, arriscou, insistiu e foi premiado. O gol aliviou o time, tirou o CRB do sufoco e deu ao camisa 16 aquilo que todo jovem da base precisa: confiança.
Prós:
– Boa leitura de jogo e posicionamento entre linhas
– Personalidade para assumir a bola mesmo sob pressão
– Evolução emocional após o primeiro gol pelo clube
Contras:
– Ainda precisa transformar participação em números com mais frequência
– Necessita de sequência para ganhar regularidade
A verdade é simples e direta: David Braw é um meia em formação, não um salvador da pátria. Precisa de apoio, não de perseguição. Precisa de minutos, não de rótulos. O gol no Rei Pelé não o transforma em craque, mas confirma algo essencial: ele não é o problema.
No futebol, a base floresce quando é regada, não quando é pisoteada. E o camisa 16 mostrou que, com confiança, pode ser útil, pode crescer e pode, sim, decidir. O tribunal da arquibancada é severo, mas a bola, justa como sempre, deu seu veredito naquela noite: o moleque respondeu em campo. E isso, no fim das contas, é o que mais importa.




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