A pergunta que virou presságio: CSA ignora reformulação e paga o preço com rebaixamento à Série D
- Fernando Antônio

- 1 de set.
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Em coletiva no dia 16 de julho, o repórter Fernando Antônio questionou ao executivo de futebol Jadson Oliveira sobre a necessidade de mudanças no elenco. Um mês e meio depois, o CSA acumulou eliminações e caiu para a Série D.

No futebol, algumas perguntas não são apenas questionamentos. São alertas, gritos abafados pelo microfone, recados de arquibancada cravados em pauta. No dia 16 de julho, em uma coletiva aparentemente rotineira, o jornalista esportivo Fernando Antônio lançou para a voz de Oscar de Melo, uma pergunta para Jadson Oliveira, executivo de futebol do CSA. A questão era direta, sem curvas e alertava para a necessidade de se fazer, não seria hora de uma reformulação profunda no elenco?
Jadson, convicto, rechaçou a ideia. Com o olhar firme, apostava na manutenção, no fortalecimento, na confiança no que já estava posto. Para ele, mexer demais poderia ser exagero, quase uma afronta àquilo que acreditava ser a identidade do time. O CSA seguiria com o que tinha, pois até aquele momento estava vivo em 3 competições.
Mas o futebol, esse juiz implacável que não se compra com discursos, tratou de responder à altura. Passaram-se semanas. No calendário, um mês e meio. Nos campos, o peso das derrotas. O CSA foi rebaixado para a Série D, amargou a eliminação na semifinal da Copa do Nordeste e ainda caiu na Copa do Brasil. A cada resultado negativo, a pergunta feita naquela coletiva ecoava ainda mais alta, como se tivesse sido escrita na parede dos vestiários: “não era hora de mudar?”
O drama azulino não foi apenas esportivo; foi existencial. O clube que já sonhou alto, que já rivalizou entre os grandes do Brasil e do Nordeste, agora se vê diante de um abismo: jogar a quarta divisão nacional. E tudo isso depois de uma escolha clara — a de não mexer, de acreditar que o mesmo elenco seria suficiente para enfrentar a tempestade.
Talvez essa seja a beleza cruel do futebol. Ele dá palco para as perguntas incômodas e, mais cedo ou mais tarde, coloca a resposta em campo. Desta vez, o CSA descobriu do jeito mais doloroso: ignorar os sinais pode custar caro. Muito caro.




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