A geração que prefere highlight ao jogo inteiro
- Fernando Antônio

- há 4 dias
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Torcedor de 90 minutos virou consumidor de 30 segundos. Como as redes sociais transformaram os dois tempos em flash. Prós, contras e impactos no consumo do futebol moderno.

O apito inicial mal soa e o dedo já desliza na tela. Antes mesmo da bola rolar, o torcedor moderno quer o gol, a falta dura, a defesa plástica. O resto? Pula. Corta. Avança. O futebol virou fast-food: rápido, saboroso, mas pouco nutritivo.
As redes sociais mudaram o jeito de amar o jogo. Hoje, muita gente não assiste à partida: consome recortes. Vive de lances soltos, comemora em looping e forma opinião em reels. O contexto, a construção da jogada, o xadrez tático, a tensão do 0 a 0… tudo isso virou “conteúdo longo demais”.
Prós?
Alcance gigantesco, engajamento em massa, novos públicos chegando. O futebol nunca foi tão visto, compartilhado e comentado. Um golaço em 15 segundos roda o mundo em minutos. Democratiza, aproxima, viraliza.
Contras?
Superficialidade. O jogo perde narrativa, o torcedor perde paciência, o debate perde profundidade. Sem os 90 minutos, não há entendimento de sistema, de estratégia, de por que o craque brilhou ou sumiu. Vira só o “o que”, nunca o “como” e o “por quê”.
O futebol, que sempre foi romance longo, está sendo lido em frases soltas. Emoção existe, mas sem enredo. E sem enredo, a paixão vira passageira.
Cabe à mídia, aos clubes e aos próprios torcedores decidir: vamos aceitar o esporte como um compilado de momentos ou resgatar o prazer da espera, da tensão, do jogo inteiro?
Porque highlight é faísca. Futebol é fogueira.




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